« »

Além de intensificar o efeito estufa – problema diretamente relacionado às mudanças climáticas que vêm ocorrendo – o excesso de CO2 no ar tem sido apontado como a principal cauda da destruição em andamento dos recifes  de corais – colônias de seres vivos que constituem o ambiente de numerosas espécies marinhas. Só no Brasil são 3000 Km de litoral – da Bahia ao Maranhão – em que os corais podem ser encontrados.
Essa destruição ocorre assim:
– Parte do gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis se dissolve em contato com a água dos oceanos, nela gerando ácido carbônico (H2CO3):
CO2(g) + H2O(l) → H2CO3(aq)

– O H2CO(ácido carbônico) é capaz de dissolver o exoesqueleto e o esqueleto dos corais (o esqueleto permaneceria intacto após a morte do animal), que são compostos de carbonato de cálcio (CaCO3):
CaCO3(s) + H2CO3(aq) → Ca(HCO3)2(aq)

Note que o bicarbonato de cálcio (Ca(HCO3)2(aq)) que foi formado é solúvel em água. Portanto, com o tempo, a alta concentração de COno ar acaba “desmanchando” o exoesqueleto e o esqueleto dos corais, comprometendo o futuro de ecossistemas marinhos. Pelo mesmo motivo, outros animais que também apresentam estruturas compostas de carbonato de cálcio podem ser extintos, como caranguejos, ostras e mexilhões.

Se a emissão de CO2 em larga escala não for logo controlada, principalmente nos países mais industrializados, tudo indica que essas maravilhas da natureza sumirão dos mares tropicais.

Texto: Ciscato & Pereira – Planeta Química – Vol. único; editora Ática, São Paulo, 2008.

Comentários