Cientistas ingleses resolveram literalmente sentir na pele como era ser mulher na antiga civilização romana, recriando e aplicando um cosmético usado na época pelas senhoras ricas do Império.
O feito, reportado na revista NATURE, foi possível graças a um achado afortunado e um subsquente tour de force experimental.
O achado foi a descoberta de um pote contendo restos de um produto cremoso, potencialmente, um cosmético, no século II, numa escavação arqueológica em Londres.
A tarefa experimental que se seguiu, descrita, agora, por Richard Evershed e seus colegas de Escola de Química da Universidade de Bristol, foi à realização de uma série de análises para se descobrir a fórmula do tal creme.

Usando ferramentas avançadas como espectrômetros de massa, e fazendo análises, gravimétricas e de difração de raio x, eles descobriram que os principais ingredientes eram gordura de um animal ruminante (boi ou ovelha) e amido (substancia que até hoje é usada em cosmético).
Um pouco de óxido de estanho dava coloração branca à gosma.
“Nós misturamos esses ingredientes nas proporções corretas e também obtivemos um creme branco. Ele tinha uma textura agradável quando aplicado na pele”, escreveram. “A adição de óxido de estanho (SnO) à base de gordura e amido confere uma opacidade branca, que é consistente com o creme ter sido um cosmético.”
NOGUEIRA, Salvador. Ingleses recrian cosmético romano. Folha de S. Paulo, são Paulo, 4nov.2004.Ciência.Fornecido pela Folha Press.
Comentários