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No dia do 19º aniversário do acidente em Chernobyl (1), onde morreram 30 mil pessoas e três milhões foram atingidas, o Greenpeace lança um relatório sobre o risco das usinas nucleares no mundo, comprovando a deficiência deste tipo de energia. O estudo mostra que devido à idade dos reatores, a falhas já apresentadas e à desregulamentação do mercado, o risco de acidentes nos reatores instalados nos países altamente industrializados (na Europa, América do Norte e Ásia) está maior do que nunca. Um acidente envolvendo estes reatores poderia ser mais severo que o de Chernobyl.

As principais conclusões do relatório apresentado em Viena numa reunião sobre segurança nuclear da Agência de Energia Atômica Internacional (2) são:

– Todos os reatores em operação têm falhas de segurança que não podem ser eliminadas com atualizações tecnológicas no sistema de segurança;

– Um acidente de grande porte num reator de “água leve” (a grande maioria dos reatores em operação no mundo utilizam esta tecnologia) poderia causar um vazamento de radioatividade centenas de vezes maior que o de Chernobyl, resultando em mais de um milhão de mortes por câncer e na remoção de pessoas em grandes áreas (até 100.000 km2);

– A idade média mundial dos reatores está em 21 anos e muitos países estão planejando estender o tempo de vida de seus equipamentos além do projetado originalmente. Esta prática poderá levar à degradação de componentes críticos e a um aumento nos incidentes de operação, podendo culminar num grave acidente;

– A desregulamentação (liberalização) do mercado de eletricidade pressionou os operadores de usinas nucleares a diminuir seus investimentos na área de segurança e a operar seus reatores com maior temperatura e pressão, acelerando o envelhecimento do reator e diminuindo as margens de segurança operacional;

– Os reatores nucleares não podem ser suficientemente protegidos contra um ataque nuclear;

– Os efeitos das mudanças climáticas, como inundações, elevação do nível do mar e secas extremas, aumentam seriamente o risco de um acidente nuclear.

“A indústria nuclear está fazendo uma forte campanha para promover a energia nuclear e acobertar sua verdadeira crise. Hoje há poucos reatores em construção, o custo de geração de energia é elevadíssimo, não existe solução para o lixo nuclear e os reatores atualmente instalados estão chegando ao fim de sua vida útil”, diz Dialetachi. O Greenpeace exige a eliminação da energia nuclear como a única medida eficiente para reduzir seus riscos. A solução está na geração de energia por fontes alternativas (eólica, solar, pequenas hidroelétricas e biomassa) e o uso eficiente da energia gerada.

Angra 3
Apesar do adiamento da construção de Angra 3 por cinco anos ter sido discutido na reunião do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), realizada no dia 13 de abril, ainda há muitos integrantes do governo Lula defendendo o projeto com unhas e dentes. É o caso do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e do ministro de Ciência e Tecnologia, Eduardo Campos. Para o Greenpeace, a retomada do programa nuclear brasileiro representaria um retrocesso, já que diversos países – como Alemanha, Espanha e Suécia – estão repensando suas políticas energéticas, apostando em fontes renováveis de energia.

“Investir numa usina nuclear no Brasil vai na contramão do bom senso e uso apropriado de recursos públicos. Usinas nucleares são inseguras, caras, ultrapassadas e sujas. Juntas, Angra 1 e 2 são incapazes de produzir mais do que 2% da eletricidade gerada no Brasil”, afirma Sérgio Dialetachi, coordenador da campanha antinuclear do Greenpeace.

NOTAS
(1) O reator 4 da usina de Chernobyl, na Ucrânia, explodiu no dia 26 de abril de 1986 e matou cerca de 30 mil pessoas. Mais de 3 milhões de pessoas sofrem com os efeitos do acidente. A radiação varreu tudo e 140 mil quilômetros de área ao redor da cidade ficarão inutilizados por centenas de anos. Dados da ONU estimam que cerca de 6 milhões de pessoas ainda vivam em áreas contaminadas. A comissão de segurança radioativa do governo ucraniano alertou em 2002 que os níveis de radiação em Chernobyl continuam aumentando e é alto o risco de vazamentos no sarcófago de concreto que envolve o reator nuclear e toneladas de combustível radioativo que permaneceram lá.
Fonte: Greenpeace.

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