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Você já reparou na quantidade de sujeira que se acumula na lata de lixo na sua casa nos fins de semana? Pois é. De lata cheia em lata cheia, cada brasileiro que viva 70 anos de idade vai produzir 25 toneladas de detritos. […]
O lixo é um indicador curioso de desenvolvimento de uma nação. Quanto mais pujante for a economia, mais sujeira o Brasil vais produzir. É sinal de que o país está crescendo, de que as pessoas estão consumindo mais. […] Por dia, calcula-se que o brasileiro produza 1 quilo de lixo domiciliar. Ainda estamos longe dos americanos com seus inacreditáveis 3 quilos por pessoa, mas já ultrapassamos países da União Européia (Veja tabela).
Produção diária de lixo per capita de alguns países

A questão é que as grandes cidades brasileiras não tem estrutura para encarar esse crescimento e se encontram perto de um limite. As prefeituras estão sem dinheiro para a coleta e já não há mais lugar onde jogar lixo. […]
O problema ganha uma dimensão mais perigosa por causa da mudança no perfil do lixo. Há cinquenta anos, os bebês […] utilizavam fraldas de pano, que não eram jogadas fora. Tomavam sopa feita em casa e bebiam leite mantido em garrafas reutilizáveis. Hoje, os bebês usam fraldas descartáveis, tomam sopa em potinhos que são jogados fora e bebem leite embalado em tetra pak. Ao final de uma semana de vida, o lixo que eles produzem equivale, em volume, a quatro vezes o seu tamanho.
Na metade do século, a decomposição do lixo era predominantemente de matéria orgânica, de restos de comida. Com o avanço da tecnologia, materiais como plásticos, isopores, pilhas, baterias de celular e lâmpadas são presença cada vez mais constante na coleta. Em 1986, existia em todo o planeta apenas 1,3 milão de linhas de celular. Hoje são 135 milhões e daqui a sete anos serão 850 milhões de linhas.  Todas consumindo baterias altamente tóxicas para a saúde pública quando jogadas de qualquer maneira nos lixões. Levando-se em consideração que o Brasil tem 7 milhões de linhas de celular e que  70% do lixo brasileiro é jogado a céu aberto, a contaminação dos lençóis freáticos localizados abaixo desses lixões não pára de crescer. […]
Bom negócio – Nos Estados Unidos, a industria de reciclagem do lixo fatura 120 bilhões de dólares por ano. É um resultado equivalente ao das montadoras de carros americanas, mas com margens de lucro maiores. […] No Brasil, os números são bem mais modestos. O economista Calderoni fez a conta no livro Os Bilhões Perdidos no Lixo e mostrou que o país fatura hoje 1,2 bilão de dólares por ano com essa atividade. Esse número poderia ser de 5,8 bilhões de dólares em pouco tempo.
Notícia extraída da revista Veja n. 1589, p. 60-2, 17 mar. 1999.

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